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Importação mundial de carne de aves: tendências para 2023

No quadro abaixo, uma projeção do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) sobre os países ou blocos de países que estarão entre os maiores importadores de carnes de aves (de frango e de peru, mas essencialmente de frango) em 2023

Data: 07/05/2014

Notar que, tradicionalista, o USDA ainda relaciona os países importadores de acordo com a “clientela” que possuía no final do século passado. Assim, por exemplo, a Rússia aparece nessa relação como o importador mundial número 1, quando, na realidade, já se colocou na sétima posição em 2013 e tende a cair para a 13ª posição em 2023.

Aliás, entre os 14 importadores da relação o maior recuo previsto é o da Rússia, cujas compras externas em 10 anos deverão cair mais de 75%, situando-se em 2023 no mesmo nível, aproximadamente, da Coreia do Sul.

Outro dos relacionados que também tende a reduzir o volume importado é o Japão, hoje um dos principais importadores da carne de frango brasileira ao lado da Arábia Saudita. Mesmo assim o recuo previsto para o Japão é relativamente pequeno, de pouco mais de 5%, o que significa 44 mil toneladas a menos em 2023.

E já que se falou em Arábia Saudita, ela é, individualmente, o país com a segunda maior tendência de crescimento nas importações, atrás apenas do México, que tende a permanecer como mercado cativo exclusivo dos EUA.

Observar, na tabela, que a Arábia Saudita é mercado tão importante que o USDA a colocou separadamente dos demais países do Oriente Médio.

Juntos, eles deverão chegar a 2023 com um aumento de cerca de 45% nas importações, absorvendo quase 1 milhão dos 2,5 milhões de toneladas adicionais previstas. Com isso, a participação do grupo nas importações globais sobe de cerca de 30% para quase um terço do total.

Outro mercado potencialmente importante é o composto por China e Hong Kong, importadores que, nas previsões do USDA, devem aumentar suas compras em 44% e 33% respectivamente. Com isso, em 2023 os chineses estarão importando praticamente o mesmo volume do Japão.

O aumento previsto é, sem dúvida, significativo. Mas nada comparável ao que está sendo projetado pelo USDA para os países africanos. Pois, juntos, os blocos listados pelo USDA – países do Norte da África + integrantes da Comunidade Econômica dos Países do Oeste Africano + outros países da África subsaariana – tendem a um aumento de mais de 100% nas importações, requerendo volume adicional de carnes avícolas (+987 mil toneladas) muito próximo do adicional previsto para o Oriente Médio (+993 mil de toneladas).

Feitas as contas, os países do Oriente Médio (principal mercado da carne de frango brasileira) e os países africanos (mercado que tem como grande fornecedor mais próximo o Brasil) – e que, curiosamente, são os últimos cinco listados pelo USDA – estarão respondendo, em 2023, por mais da metade das importações mundiais de carne de frango.